SOBRE FALTAS E EVASÃO ESCOLAR: A responsabilização da Escola



No mês de Janeiro de 2014 publicamos o artigo “Quem é o maior responsável pela educação do meu filho?” e tal artigo gerou uma discussão que não foi o nosso objetivo. Não tivemos como pretensão discutir os “porquês” dos alunos não frequentarem a escola. Não tivemos como objetivo discutir o sistema escolar e a falta de vontade em estudar. Tivemos, sim, como meta apresentar os aspectos legais sobre a frequência do aluno à escola, e isso foi bem exposto.
            Chegamos à conclusão de que a escola é o grande responsável por acompanhar, orientar e, se necessário, acionar o Conselho Tutelar e/ou o Poder Judiciário para que a criança e o adolescente estejam dentro da escola. A tarefa de acompanhar sistematicamente a presença dos alunos é árdua e trabalhosa. Nas escolas públicas os números de alunos variam de 1.000 a 2.000 alunos. O acompanhamento sistemático é difícil diante das diversas tarefas que os professores, coordenadores, orientadores educacionais e diretores realizam rotineiramente, isso sem contar as tarefas que não estão na rotina administrativa tais como: atendimento inesperado de pais de alunos, brigas entre alunos, materiais que somem, solicitações diversas de outros órgãos, etc. Entretanto é preciso incluir na rotina administrativa o acompanhamento sistemático da frequência escolar, pois ao chegar ao final do ano ou no término do bimestre, o pai ao ser comunicado que seu filho está há algum tempo faltando à escola, tem como primeira reação impulsionar a responsabilidade da comunicação à escola. E não está errado.
            Para uma escola de ensino fundamental II e médio em que os alunos tem cinco ou seis aulas por dia, com cinco ou seis professores diferentes por dia se torna inviável acompanhar diariamente de oito a doze diários, ainda mais com escolas que funcionam com quinze ou vinte salas por período (três períodos por dia).
            Em escolas particulares em que o número de alunos e de salas é menor, e o número de funcionários é maior, torna-se mais fácil fazer este acompanhamento, entretanto é necessário lembrar que a quantidade de ausências é bem menor e, via de regra, conhecem-se os alunos e seus pais pelo nome e sobrenome.
            É fato que o acompanhamento dos pais causa muita diferença na vida do escolar do seu filho. Mesmo na rede pública, o acompanhamento escolar dos pais, avós, tios ou um irmão mais velho traz para o aluno a visão de que ele está sendo acompanhado e cobrado pelas suas tarefas, por isso é importante apresentar e executar alguma estratégia que os tragam para a vida escolar das crianças e adolescentes.
            No caso da escola pública com uma grande quantidade de alunos e de salas é possível realizar tarefas simples, que vai custar algum tempo, mas que vai diminuir muito o problema do excesso de faltas e a evasão escolar (sem a ciência dos pais -, por vezes, é preciso lembrar, que os pais também são coniventes).
            Uma pasta simples, com um quadro dividido em datas, e folhas impressas por semana, é possível marcar a chamada dos alunos e verificar, logo na segunda feira subsequente, quem teve muitas faltas. Orientamos para que os alunos que tiverem 2 faltas na mesma semana, deverão ter seus pais comunicados, mesmo pelo telefone. Ao realizar o telefonema, anote o horário e o nome de com quem conversou. A anotação deverá ir para o prontuário do aluno para que não se perca no meio de “livros de controle”. Se não for possível colocar tais controles nos prontuários da secretaria, a coordenação pode criar sua própria gaveta de prontuários de acompanhamento pedagógico (com as fichas de aproveitamento, faltas, ocorrências escolares, etc.).

Acreditamos que o acompanhamento sistemático possa trazer bons frutos no que diz respeito à falta do aluno. Concomitante a isso é necessário investigar as causas de tal falta de interesse dos alunos e partir para outra frente de batalha, mas isso já é outra conversa.



OMAR DE CAMARGO

Técnico Químico
Professor em Química
[email protected]
IVAN CLAUDIO GUEDES
Geógrafo e Pedagogo
Articulista e Palestrante
Especialista em Gestão Ambiental, mestre em Geociências e doutorando em Geologia.
[email protected]
Artigo publicado originalmente em http://www.gazetavaleparaibana.com/075.pdf – p. 9
Para referenciar este artigo:
CAMARGO, O.; GUEDES, I.C. Sobre faltas e evasão escolar: A responsabilização da escola. Gazeta Valeparaibana. Ed. 75. Ano VII. Disponível em , 2014, p. 9.

Postagens Relacionadas

About the Author

Ivan Guedes

Prof. Dr. Ivan Claudio Guedes, Geógrafo e Pedagogo. Professor de Geografia na educação básica e Docente do curso de Pedagogia da Faculdade Progresso. Coloca todo o seu conhecimento a disposição de alunos acadêmicos, pesquisadores, concursantes, professores, profissionais da educação e demais estudantes que necessitam ampliar seus conhecimentos escolares ou acadêmicos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *