O Que as Crianças Deveriam Aprender



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TEXTO EXTRAÍDO DE 
http://sitededicas.ne10.uol.com.br/o-que-devemos-ensinar-as-criancas.htm


Autor: Jon Talber


Dentro de um mundo que chamamos de “mundo das aparências”, um
cenário ideal criado pela sempre faminta indústria do “vender qualquer
coisa”, onde se incluem objetos, idéias e ideais, a construção de uma
personalidade “batizada”, quer dizer condicionada, tornou-se sua
principal meta existencial.
 


Observe o mundo artificial que criamos para nossos pequenos. Os
personagens não são de verdade, os objetos são modificados, com uma aparência
bizarra, que classificamos como engraçados. Quem define o que é engraçado, nós
ou as crianças? Quem cria o engraçado, nós ou nossas crianças? Claro que não
são elas, elas são os consumidores, o alvo de tais criações. Assim, se somos nós,
não se trata tão somente de uma forma de condicioná-las? Idealizamos o
engraçado, damos forma a esse engraçado, depois só nos resta convencê-las de
que aquilo é de fato engraçado, e está feito.



A mesma
coisa é válida para as fantasias, os reinos mágicos, encantados, criados para
entretê-las. O que esperamos obter com isso ainda não sabemos, e se há algum
ensinamento educativo, ético, o que seja, que esperamos conseguir com tal
prática, aparentemente ainda não logrou o desejado, pretendido e didático
efeito.
 


Para uma imensa, bem estruturada e sólida indústria, a mesma que cria
tais fantasias e mundos abstratos, há um efeito, e este conhecemos bem, o
lucro. E há todo um corpo docente, os criadores, a tentarem nos convencer que
essa é a coisa certa. Diversão está muito distante de ilusão. Diversão é uma
coisa, disso toda criança carece, mas ilusão, mentiras, fantasias inexistentes,
não. Não se constrói uma realidade em cima de uma fantasia. Não se vislumbra um
mundo melhor, mais justo, ciente de seus problemas e conseqüentes soluções, em
cima de um mundo irreal, sem problemas, que mais se adequa como um estímulo a
indiferença, ao comodismo.
 

Uma criança, e mesmo um jovem, pré-adolescente,
ou mais velho, desconhece os problemas dos seus pais, dos adultos, desconhecem
mesmo a sua fisiologia. Acreditamos que elas não são incapazes de assimilar
tais informações, e, no entanto, criamos fantasias fantásticas para preencher
seus dias, roteiros bizarros de coisas desnecessárias e inexistentes, e mesmo
vendo como interagem com as novas tecnologias, provando que pensam rápido e de
forma lógica, melhor que a maioria dos adultos, ainda assim, insistimos em lhes
negar a realidade que terão pela frente, alegando que não é chegada a hora.



Não somos nós, mas, as autoridades, os regentes do conhecimento, que nos
dizem o que fazer, o que pensar, o que sonhar, o que desejar, como se fossemos
brinquedos sofisticados movidos aos seus impulsos e ordens. Apenas seguimos o
roteiro, obedientes, submissos, tementes de questionar o porquê de cada uma
dessas coisas. De perder é o nosso receio, seja uma ideologia, seja uma crença,
seja o que for. Apoiamos-nos na autoridade de uma tradição na esperança de que
nos dê força para também dominarmos, nossos filhos, nossas relações, quem
estiver em nosso entorno.
 

Formar crianças livres e felizes não é nossa
meta, não temos nenhuma meta, apenas seguimos ordens, a chamada “opinião
oficial”, metas alheias, cujas origens desconhecemos, e os resultados são
meros acasos. Ser bem sucedido, ter uma profissão rentável, um padrão de vida
material razoável, é a promessa que nos impulsiona, que rege nossas aspirações.



E isso
repassamos para nossos filhos. Mas não nos ocorre, questionarmos porque a
maioria de nós, a despeito de seguirmos à risca a “cartilha”, ainda
não logrou pleno êxito em sua vida pessoal. Mas há a esperança de dias
melhores, e como cegos seguindo um cão guia, nos encolhemos na acomodação, na
crença de que as autoridades, as mesmas que ditam nosso destino, até o fim dos
nossos dias, estejam zelando para um dia isso se concretizar.
 

Eis nossa herança para nossos filhos. Uma criança
não compreende porque sua mãe muda tanto de humor em certos períodos do mês. Os
conflitos são inevitáveis, produto de uma ignorância instituída, premeditada,
cego guiando cego, quando a simples instrução, até como forma de respeito,
resolveria de vez o problema. TPM, ou Tensão Pré-Menstrual, poderíamos explicar
para nossas crianças que suas mães padecem de tal transtorno, natural, normal,
comum, parte de suas fisiologias, nada de absurdo, mas que é capaz de
transformar seu estado emocional, tornando-a mais sensível, irritadiça,
ansiosa, nervosa, o que pode fazer parecer, para filhos e filhas ignorantes,
que não conheçam o problema, que os conflitos motivados por tal estado
temporal, é coisa pessoal?
 

Não estaria nessa simples explicação a solução de
muitos problemas de relacionamento entre mães e filhos, e filhas? Se é um
problema para os adultos, que já conhecem o problema, imagine para crianças,
sensíveis, emocionalmente instáveis, que tendem a tudo levar para o lado
pessoal, da vitimização?



Fazê-las compreenderem tal estado hormonal, físico, emocional das mães,
evitaria muitos transtornos, e estas poderiam efetivamente ajudar a mesma a
superar de forma menos traumática tal ciclo. Se elas compreendem como programar
um computador, não estariam também aptas a compreenderem esta coisa,
infinitamente, bem mais simples?
 

E sobre os problemas da velhice, isso também não faz parte dos seus dias,
não é o futuro de cada uma delas, pelo menos da maioria? Compreender, conhecer
os problemas da velhice, ou boa idade, ou qualquer outro nome que se institua,
não as tornariam mais tolerantes, mais dispostas a conviverem sem conflitos com
os mais velhos? Conhecer os problemas de cada idade, não as tornariam mais
humanas, mais responsáveis, mais naturalmente disciplinadas e comprometidas com
o bem estar social, que no final é o delas mesmo?


Estudar os limites
de compreensão de cada idade, o que cada faixa etária é capaz de assimilar,
isso deveria ser um quesito da grade curricular regular. Do mesmo modo que
se institui adequação de brinquedos, filmes e programas por faixa etária,
porque não instituir uma adequação daquilo que cada indivíduo em
crescimento é capaz de assimilar? Por que os pais esperam pelos educadores,
e os educadores esperam pelos especialistas, e os especialistas esperam
pela oportunista indústria dos padrões de entretenimento, para então lhes
informarem o que devem fazer? Informarão estes a coisa certa ou apenas
aquilo que lhes convém? Eis o que ocorre.
 

Em nossa pauta de aprendizado há espaço para tudo. Para brincadeiras,
para experiências pessoais, para nossas crenças, mas, devemos considerar o
ensino como uma forma de instrução e não de lavagem cerebral. Ensinar
nossos filhos pela forma mecanicista, onde não precisam pensar para
executar, onde basta ser capaz de imitar, onde não consideramos aquilo que
são capazes de assimilar, mas sempre o que são capazes de reproduzir como
animais amestrados, não é educação, mas para construir mundos de mentira,
repletos de fantasias bizarras, serve. O que podemos esperar depois senão
que construam um mundo igualmente bizarro?
 

Jon Talber é pedagogo e escritor de
temas de auto-ajuda. Estudou por muito tempo filosofia oriental e antropologia. 

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About the Author

Ivan Guedes

Prof. Dr. Ivan Claudio Guedes, Geógrafo e Pedagogo. Professor de Geografia na educação básica e Docente do curso de Pedagogia da Faculdade Progresso. Coloca todo o seu conhecimento a disposição de alunos acadêmicos, pesquisadores, concursantes, professores, profissionais da educação e demais estudantes que necessitam ampliar seus conhecimentos escolares ou acadêmicos.

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