DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL?



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Atualmente é grande o número de
profissionais que discutem o que é Desenvolvimento Sustentável. Biólogos, geógrafos,
geólogos, economistas, engenheiros, arquitetos, advogados, mecânicos, enfim, é
um debate que volta e meia aparece em destaque nos meios de comunicação e na
boca do povo. Porém, pouco se entende e muitas ideologias se impõem criando visões
distorcidas e pensamentos pré-concebidos.
A Terra existe há pelo menos 4,5
bilhões de anos. As primeiras formas de vida vieram aproximadamente há 2
bilhões de anos e se desenvolveram no oceano primitivo.
Na época, a atmosfera era
composta de 97% de dióxido de carbono (CO2). Atualmente ela é
composta de 78% de nitrogênio (N2), 21% de oxigênio (O2),
0,9% de argônio (Ar), 0,03% de dióxido de carbono (CO2) e vapor d’água.
Graças a esses gases originou-se o conhecido “Efeito Estufa” que fez com que o
planeta conseguisse equilibrar a sua temperatura permitindo o desenvolvimento
da vida.
Durante a sua formação ocorreram
diversas modificações: os continentes ficaram “dançando” de um lado para o
outro e o clima se alterou diversas vezes. Atualmente a média climática do planeta
é de 15ºC. Estudos indicam que entre 570 e 225 milhões de anos (Era Paleozoica)
a temperatura média era bem maior tendo ocorridas diversas variações. No livro
de K. Suguio “Mudanças Ambientais da Terra” encontram-se informações que
retratam esse período. Durante essa Era, as calotas polares não eram cobertas
de geleiras e ocorreram pequenas glaciações que podem ser reconhecidas,
inclusive, no Estado de São Paulo, tais como no Parque do Varvito de Itu e no
Parque de Rocha “Moutonnée” de Salto, em que ambas apresentam registros geológicos
dessas pequenas variações climáticas.
Na Era Mesozoica, entre 225 e 65
milhões de anos (a conhecida Era dos dinossauros), a temperatura média da Terra
atingiu entre 30 e 33ºC. Dentro da nossa Era (Cenozoica – 65 milhões de anos
até atualmente), possuímos diversos registros de variações climáticas, mesmo em
épocas em que não havia a presença da nossa espécie.
Essa breve e generalizada
introdução ao planeta Terra é muito útil para compreender que a Terra é
dinâmica e possui sua estrutura. É importante deixar claro que sempre houve
mudanças no clima. Terremotos, furacões, tempestades e enchentes, sempre
estiveram presentes na história do planeta.
Agora, diante desse breve
esclarecimento podemos discutir o que é desenvolvimento sustentável.
Esse conceito nasceu dos debates
entre 1960 e 1970. A concepção de desenvolvimento versava sobre a possibilidade
de crescimento ilimitado impulsionado após a II Guerra Mundial, tendo como
propulsores os Estados Unidos da América e os países capitalistas da Europa.
A receita de desenvolvimento imposta
na segunda metade do século XX, aliado ao descontentamento popular por conta da
política de guerra, o excesso de exploração de recursos naturais (sobretudo nos
países subdesenvolvidos), os diversos impactos ambientais e as crises políticas
e econômicas que despontavam naquela época, fizeram com que a sociedade civil
se organizasse e passasse a cobrar de seus governantes.
Em 1972, a ONU criou a
Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e foi dessa
conferência que, alguns anos mais tarde a Comissão Drundtland publicou o
documento “Nosso Futuro Comum”, que em 1987 trouxe o conceito de “Desenvolvimento
Sustentável” como o “desenvolvimento que é capaz de garantir as necessidades do
presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras atenderem também às
suas”. Adiante, a ONG WWF apresentou este conceito entendendo como a “qualidade
de vida humana dentro dos limites da capacidade de suporte dos ecossistemas”.
Ambos os conceitos apresentam uma definição ampla e vaga.
Uma busca rápida na internet
revela o quanto temos de material. Para o termo “salve o planeta”, encontramos
487.000 links em 0,21 segundos; “reciclar” 2.130.000 em 0,29 seg; “desenvolvimento
sustentável” 2.030.000 em 0,42 seg. Uma busca por imagens apresentam das mais
românticas às mais catastróficas. São crianças segurando o planeta, raios e
tempestades, mãos unidas segurando a Terra, enfim, uma série de imagens que,
assim como os conceitos apresentados acima, não tratam o núcleo do problema.
O que entendemos como núcleo do
problema é, justamente, a nossa própria espécie e a ignorância a que estamos
submetidos. Fazemos parte de uma espécie que explora sua própria espécie das
mais diversas formas, e nos orgulhamos disso! Sujamos e emporcalhamos a nossa
morada e para discutir questões ambientais, precisamos compreender melhor
alguns modismos.
A questão da reciclagem é
altamente polêmica, pois, já começa pelo conceito. A reciclagem é a
desagregação dos componentes minerais que um determinado material possui, ou
seja, sua decomposição total e recolocada no ambiente. Quem faz a reciclagem, portanto,
é o planeta. O que fazemos com o lixo é reutilizar seu produto construindo
outros materiais (mais lixo).
Sobre as enchentes, é comum dizer
que é causado pela chuva ou pela moda do aquecimento global. Mas, não é preciso
dizer que sem a chuva, não há água potável. Todos os rios têm seus diferentes
ambientes, possuem períodos de cheias e de secas. O problema não é o ciclo do
rio, mas construir às margens desses rios, desviar seus cursos ou jogar lixo ou
qualquer tipo de material. Um exemplo pode ser dado no bairro do Pantanal na
zona leste da cidade de São Paulo: você construiria uma casa em um bairro
chamado “Pantanal” e reclamaria dos períodos de cheia?
O problema em si não está no
ambiente, mas sim em como nos relacionamos com ele. Outro grande problema está
na exploração da mão de obra pela nossa própria espécie.
Recentemente foi publicada uma
reportagem em que uma empresa de refrigerantes desenvolveu uma garrafa “ecologicamente
correta”. Trocou o petróleo pela cana de açúcar e ganhou diversos prêmios por
ser uma “empresa amiga do meio ambiente”. Quanto um cortador de cana ganha por
tonelada? Quantos morrem de estafa por cortar cana das 5h da manhã às 19h? Quanto
de poluentes é enviado pela queima da palha e quanto de água a cana consome
para crescer?
São questões como essas que
queremos ver em debate. O planeta continua com ou sem a nossa presença. O
planeta não corre nenhum tipo de perigo, muito pelo contrário, sua evolução
continua (diga-se de passagem, até melhor sem a gente). O clima pode variar, os
vulcões podem continuar aliviando a pressão que é produzida no interior do
planeta, os terremotos podem continuar, enfim, a Terra deve, e vai, continuar
com a sua dinâmica. O problema é a nossa espécie. Temos que mudar a nossa
concepção sobre ser humano. Temos que mudar a nossa visão sobre o planeta.
Nosso meio ambiente não deve ser
entendido como o rio que corre sobre águas cristalinas, o ar puro, o pomar, o
solo, os animais livres no campo etc. o meio ambiente é esse em que vivemos: o
ar com cheiro de fumaça de carros, ônibus e cigarro, a água dos rios poluídos,
as ruas sujas, as crianças no farol, os andarilhos na rua, o trânsito. Esse é o
nosso meio ambiente, e é sobre este meio ambiente que temos que discutir,
trabalhar e viver. O que temos que salvar somos nós, e não o planeta!

Ivan Claudio Guedes, 33, Geógrafo e Pedagogo.

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About the Author

Ivan Guedes

Prof. Dr. Ivan Claudio Guedes, Geógrafo e Pedagogo. Professor de Geografia na educação básica e Docente do curso de Pedagogia da Faculdade Progresso. Coloca todo o seu conhecimento a disposição de alunos acadêmicos, pesquisadores, concursantes, professores, profissionais da educação e demais estudantes que necessitam ampliar seus conhecimentos escolares ou acadêmicos.

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