Uma revolução tecnológica na educação



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Uma revolução tecnológica na educação

De Skinner à EAD muita coisa não mudou.


Há algum tempo o governo federal vem investindo na inclusão tecnológica das escolas. O programa “um computador por aluno” (em 2008) custou aos cofres públicos R$ 82,55 milhões para compra de 150 mil computadores portáteis.
Desde 2011 o governo se esforça para distribuir tablets aos alunos e aos professores das escolas públicas. Em fevereiro de 2012, o MEC anunciou a distribuição de 600 mil tablets aos professores do ensino médio a um custo de R$ 150 milhões (vale dizer que o nosso ainda não chegou!).
Educação mediada por tecnologia não é novidade. As experiências começaram com o fisiologista russo  Ivan Pavlov (1849-1936) na área da medicina, em que foi formulada a teoria do Condicionamento Clássico (entre 1903 e 1908). Adiante, em 1968, Burrhus Frederic Skinner (1904-1990) criou a “máquina de aprendizagem” influenciando a educação norte-americana, e consequentemente, no resto do mundo.


Hoje, a moda da Educação a Distância (EAD), aperfeiçoa os conceitos do passado somando-os à tecnologia presente.
Recentemente foi noticiado pela mídia nacional sobre o norte-americano Salmon Khan, que ao fazer questões para uma prima de 10 anos (que se encontrava na Índia), acabou fazendo de um curso com explicações online, “um método revolucionário”, segundo os jornais que formam a opinião pública. Para nós, nenhuma novidade, pois o Ensino à Distância também é antigo.
Em 1904, o Jornal do Brasil registrou na primeira edição da seção de classificados, um anúncio em que era oferecida a profissionalização por correspondência para datilógrafo. Desde 1941, uma empresa brasileira oferece diversos cursos a distância ofertando inclusive, o famoso “Supletivo à distância”.
O caso de Khan ganhou repercussão. Aulas simples, gravadas apenas com voz e captura de vídeo (utilizando algo parecido com o Paintbrush) ganharam investimentos da ordem de 100 mil dólares de Bill Gates para a expansão do seu negócio. Os vídeos são produzidos e disponibilizados na internet.
No Brasil, Khan esteve reunido com a presidência da república através da intermediação da Fundação Lemann. O encontro gerou uma parceria entre a Fundação e o MEC para distribuir as aulas de Kahn em português pelos quase 400 mil tablets que serão entregues pelo MEC em 2013.
Na nossa humilde opinião, os vídeos não trazem nenhuma grande novidade, no que diz respeito ao seu uso em sala de aula.
Os próprios vídeos da Fundação Roberto Marinho são mais contextualizados e fáceis de compreender.
Os vídeos de Khan (disponíveis em http://www.fundacaolemann.org.br/khanportugues/) apresentam uma tela preta com rabiscos, e uma voz ao fundo que explica o conteúdo. Sinceramente, não entendemos aonde se encontra “a revolução na educação”.
Os vídeos não apresentam explicações significativas. Não discutem conceitos, não chamam a atenção. As explicações são confusas e não são de fácil entendimento. Qualquer professor com o mínimo de habilidade sobre o uso da informática consegue produzir slides para projetar em tela e apresentar explicações melhores. Na dúvida, veja os vídeos e tire as suas conclusões.
O Brasil é um país em que há déficit na formação de professores (tanto em quantidade quanto em qualidade). Confabulamos que a inserção das aulas em EAD para o ensino regular possa trazer uma economia significativa aos cofres públicos.
Façamos a seguinte conta. A situação ocorreria em uma escola de Ensino Fundamental II. A escola possui aproximadamente 600 alunos. Distribuídos em turmas de 40 alunos haveria 15 turmas. Cada turma tem em seu componente curricular 8 disciplinas (Língua Portuguesa, Inglês, História, Geografia, Matemática, Arte, Ciências e Educação Física). São trinta horas/aula por semana, são 450 horas/aula para todas essas turmas, algo entre 15 ou 20 professores para atender toda essa demanda.
Em uma hipótese de se utilizar a EAD, haveria a possibilidade de juntar as disciplinas em áreas de estudo (um dos projetos do MEC é realmente esse).
Os alunos de posse dos tablets com as aulas instaladas assistiriam aonde quisessem e na hora em que quisessem.
Na escola (sem a necessidade de cumprir horário) apenas tirariam as dúvidas (caso houvesse, pois a bandeira levantada é a de que o aluno pode assistir quantas vezes quiser até ficar sem dúvida) e apresentar os trabalhos aos professores.

Os professores, divididos por área cairiam de 15 ou 20 (segundo a análise acima) para apenas 3 (Linguagens, Matemática e Ciências e Ciências Humanas). Um professor por área seria o suficiente para corrigir os trabalhos e lançar as notas no sistema, o professor passaria a ser um tutor.
Pronto! Resolvemos o problema da falta de professores no Brasil, falta de espaço nas escolas, o baixo preparo do professor e as críticas por causa do baixo desempenho dos alunos acabariam. Milhões seriam economizados com o custo da mão de obra docente.
É bom deixar claro que o cenário confabulado acima não é produto da nossa defesa. Mas é o que passamos a compreender quando juntamos diversas políticas públicas que rodeiam a área da educação há algum tempo.
Dizer que os vídeos apresentados merecem milhões em investimentos porque vão salvar a educação, só nos deixa pensar em duas hipóteses:

1. Os nossos administradores são muito ingênuos e não tem o mínimo de conhecimento em educação escolar.
2. Alguém vai ganhar muito dinheiro com isso.
Artigo originalmente publicado no jornal Gazeta Valeparaibana. Fevereiro de 2013. http://gazetavaleparaibana.com/063.pdf  p. 9.
Autores:
Omar de Camargo
– Técnico Químico – Professor em Química.
– Pós Graduado em Química.
Ivan Claudio Guedes
– Geógrafo e Pedagogo. Especialista em Gestão Ambiental, Mestre em Geociências e doutorando em Geologia.
– Articulista e palestrante.

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About the Author

Ivan Guedes

Prof. Dr. Ivan Claudio Guedes, Geógrafo e Pedagogo. Professor de Geografia na educação básica e Docente do curso de Pedagogia da Faculdade Progresso. Coloca todo o seu conhecimento a disposição de alunos acadêmicos, pesquisadores, concursantes, professores, profissionais da educação e demais estudantes que necessitam ampliar seus conhecimentos escolares ou acadêmicos.

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