PARABÉNS PEDAGOGOS!



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PARABÉNS PEDAGOGOS!

A função do pedagogo vai muito além da sala de aula. A sociedade precisa entender as diferenças entre pedagogos, professores e pais.

A escola antiga
A figura do pedagogo começa na Grécia antiga entre os escravos que conduziam as crianças à escola. Este escravo era submisso à criança, mas deveria fazer valer a sua autoridade quando necessário. O contato constante com a criança fez com que estes desenvolvessem habilidades no cuidado com a criança. “Aquele que conduz a criança”, era seu condutor ou guardião.

         O tempo passou, a tecnologia avançou, a sociedade mudou e o pedagogo não é mais um escravo, mas continua sendo um servo da criança, e mais, hoje a sociedade e os pais incubem ao pedagogo a tarefa de educar a criança, ou seja, a terceirização da responsabilidade de educar uma criança recaiu sobre o pedagogo.


         A diferença entre educação e escolarização requer um grande debate e não vou fazê-lo hoje. Minha intenção é trazer ao pedagogo a sua responsabilidade para com o seu trabalho e à sua significância profissional.

Hoje o pedagogo possui diversas ramificações no mundo do trabalho: Criou-se o Pedagogo Hospitalar, o Pedagogo Empresarial, o Pedagogo Social ou o Pedagogo Escolar, ou seja, onde houver a relação de ensino x aprendizagem, um pedagogo deverá estar presente.

A RESOLUÇÃO CNE/CP Nº 1, DE 15 DE MAIO DE 2006, disponível em http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rcp01_06.pdf, define as competências básicas do pedagogo e norteia os cursos de formação de pedagogos, entretanto esta mesma resolução não trata o pedagogo como um cientista da educação ou um pesquisador na área da educação. Ela o remete pura e simplesmente ao exercício da docência e da administração escolar.

A discussão que se espera neste artigo é sobre a função do pedagogo enquanto um pensador, pesquisador e articulador da escolarização (ou da educação formal), e não quanto um substituto do pai que delega a função da educação familiar ao pedagogo.

A educação familiar apresenta condicionantes ímpares do conjunto de valores morais e éticos que cada um constrói no convívio com a sua família e com a sociedade em que está inserido, desenvolvendo também seus vínculos emocionais. Caso um pedagogo, que também possui tais características, seja o responsável pela educação (familiar) de uma criança, é inevitável que haja conflitos de interesses sociais na educação de uma criança! Portanto, não é nem um pouco recomendável que os pais deleguem esta tarefa, pois não será bem realizada.

O pedagogo deve se ater à educação formal, ou seja, à escolarização em seus diferentes níveis. Deve saber conduzir uma criança com dificuldade ou deficiência de aprendizagem ao profissional competente. Pedagogo não é médico, não é psicólogo, não é psicopedagogo, nem assistente social. Portanto, não deve realizar uma tarefa para a qual não tenha estudado.

Um pedagogo bem formado, e antenado com a sua profissão deve conhecer (e dominar minimamente) a psicologia da educação, as leis que regem a educação, as políticas públicas, as metodologias científicas, a história, sociologia e a filosofia da educação, as diversas metodologias de ensino e os diversos fatores sociais que contribuem para as significativas mudanças na educação (formal), ou escolarização.

Outro ponto de capital relevância é a falta de clareza quanto a sua função na educação infantil. Como diz Paulo Freire “Professora sim, tia não!” ou como diz Armindo Moreira “Professor não é educador”, o pedagogo não deve ser substituído por um ente familiar, justamente pelos motivos expostos acima. Cabe dizer, também, que nem todo professor é pedagogo, mas todo pedagogo é um professor. Todos possuem uma tarefa específica em um ambiente específico, e que fique claro: pedagogo não é pai, nem mãe, nem tio, nem tia! Pedagogo é um especialista da educação, a quem cabe o papel de conduzir à aprendizagem formal, com planos, metas, indicativos e objetivos bem claros e definidos.

Quantas vezes nos defrontamos com situações em que o pedagogo se sente “obrigado” pela condição do seu trabalho, em substituir um ente familiar (pela falta de um ou mesmo pela negligência dos mesmos). Quantas vezes o pedagogo se desdobra em 40 para conseguir ensinar os seus 40 alunos? Quantas vezes vimos pedagogos gastarem do seu próprio dinheiro para suprir demandas escolares ou até mesmo familiares? É justo exigir isso de uma profissão?

Se nem na Grécia antiga o pedagogo era o responsável pela educação familiar das crianças, porque agora tem que ser?
O projeto de Lei nº 7264/2010 (http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=764303&filename=PL+7264/2010) aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, instituiu o Dia Nacional do Pedagogo, em que um dos seus objetivos é o de trazer “grande importância para o conhecimento do trabalho e valorização dos pedagogos na sociedade brasileira”, e ainda estamos engatinhando. A primeira valorização de um pedagogo deve vir dele mesmo, e não de outros. Por isso, digo com muito orgulho: SOU PEDAGOGO!
Ivan Claudio Guedes, 33, Geógrafo e Pedagogo.

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About the Author

Ivan Guedes

Prof. Dr. Ivan Claudio Guedes, Geógrafo e Pedagogo. Professor de Geografia na educação básica e Docente do curso de Pedagogia da Faculdade Progresso. Coloca todo o seu conhecimento a disposição de alunos acadêmicos, pesquisadores, concursantes, professores, profissionais da educação e demais estudantes que necessitam ampliar seus conhecimentos escolares ou acadêmicos.

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