CRISE DA ÁGUA E GLOBALIZAÇÃO



CRISE DA ÁGUA E GLOBALIZAÇÃO

ISRAEL SE INTERESSA EM MERCADO PROMISSOR NO BRASIL

Plano de aula crise da agua e globalização

Plano de aula crise da água e globalização

Que a crise da água já chegou no Brasil por diversos fatores (má gestão dos recursos públicos, corrupção, desperdício de água, etc.) isso já não é novidade. A novidade é o interesse das empresas internacionais neste nicho de mercado e os lucros que podem obter com essa ineficiência brasileira.

 
Esse plano de aula pode ser desenvolvido com alunos do Ensino Fundamental II e Médio. O pano de fundo “crise da água“, tem como objetivo apresentar e articular diferentes outros conceitos, além da interpretação de texto e do infográfico, com base na reportagem abaixo.
Abaixo reproduzo alguns trechos de dois textos publicados no jornal Folha de São Paulo de 28/06/2015 e, em vermelho, dou algumas dicas de como trabalhar esse assunto em sala de aula.
 

Lembre-se, primeiro faça a leitura do texto na íntegra em voz alta, por você ou por um aluno, isso é de extrema importância para que os alunos tenham o hábito da leitura. Após a leitura do texto, conduza o debate (deixe os alunos expressarem suas opiniões – durante a exposição oral dos alunos, procure ir pontuando na lousa para que, depois, faça a “amarração das ideiase depois realize as atividades.

 

Texto 1. Visite o site: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/224257-com-reuso-e-agua-do-mar-israel-produz-um-cantareira-ao-ano.shtml

Crise da água: COM REÚSO E ÁGUA DO MAR, ISRAEL PRODUZ UM CANTAREIRA AO ANO

 

O agricultor Igal Aftaby, 55, acorda às 5h todos os dias para trabalhar em sua plantação de romãs – vista de cima, é um pontinho verde no meio do deserto de Neguev, em Israel. (Você pode fazer uso do Google Earth para explorar o território de Israel).

Uma década atrás nada crescia ali. “Rezávamos por cada gota”, diz ele, debaixo de um sol de mais de 40 graus. “Agora, temos água para cultivar o que queremos. Pretendo começar a plantar uvas.” importante contextualizar como se dá a vida no campo. É interessante levantar uma discussão sobre o trabalho no campo e o trabalho na cidade.

 

Crise da água. Estratégia para economia.

Crise da água. Estratégia para economia.Fonte: Folha de São Paulo. Cotidiano, 28/06/2015, p. 9.


Esgoto captado nas casas de todo o país passou a ser usado na produção de água de reúso – são 450 bilhões de litros por ano, que abastecem metade das plantações. Como se faz o reúso da água e o tratamento de água de esgoto? aqui cabe uma pesquisa em grupos para que montem um painel com infográficos explicativos. Exponha os gráficos acima e faça a leitura comparando as diferentes realidades.

A medida faz parte de um conjunto de ações que, em menos de uma década, tirou Israel, um país com 60% do seu território formado por deserto, da crise hídrica. Apresentar um mapa de Israel e descrever seus aspectos físicos (geologia, geomorfologia, etc. Alguns livros didáticos já apresentam essas características. Você também pode explorar o Google Earth). 


Para suprir o deficit, o país passou a produzir artificialmente quase metade de sua demanda, seja dessalinizando a água do mar ou tratando esgoto. É o equivalente a mais de um sistema Cantareira (900 bilhões de litros) ao ano. A produção anual de Israel é de quase 2,2 trilhões de litros. Como é o processo de dessalinização da água? é caro? é viável? é um método poluidor? existem outras alternativas? (isso também pode ser objeto de pesquisa entre os alunos).

Das soluções administrativas sem custo às mais caras, especialistas israelenses afirmam que várias opções poderiam ajudar o Estado de São Paulo a resolver a falta de água em médio prazo.


Responsável por 58% do consumo, a agricultura toma cada vez menos água potável em Israel – o país trata 86% do esgoto, usado na irrigação a um preço três vezes menor.


Além disso, foram construídas quatro usinas privadas de dessalinização e há uma quinta a ser inaugurada. Em sistema de concessão, a água é revendida ao governo por US$ 0,57 (cerca de R$ 1,78) a cada mil litros – valor considerado baixo. (Quanto nós pagamos aqui pelo uso de mil litros?)


Abraham Tenne, da Autoridade Hídrica de Israel, visitou o Brasil recentemente e diz que São Paulo teria opções mais baratas antes de apelar para a dessalinização – o investimento para uma usina pode chegar a US$ 450 milhões (R$ 1,4 bilhão), fora o consumo de energia. “Também é preciso evitar contaminação dos rios, para não ter de gastar muito para descontaminá-los”, diz Tenne. Segundo ele, delegações brasileiras e israelenses têm conversado sobre eventuais parcerias na questão hídrica. Quais seriam essas opções? como evitar a poluição dos rios? o que é de responsabilidade do poder público e o que é de responsabilidade da população? Quanto ao valor da obra, será que compensa? você conhece alguma obra pública e o seu valor?


Israel fez do preço uma ferramenta para forçar a economia. No auge da crise, entre 2008 e 2009, o subsídio foi drasticamente reduzido e a tarifa foi aumentada em 40%.

Hoje, a população de Israel paga em média o equivalente a US$ 2,30 (ou R$ 7,20) a cada mil litros, com aumento de acordo com a faixa de gasto – em São Paulo, também há tabela progressiva, mas o preço básico para uso doméstico é de R$ 2,06 por mil litros.


O uso doméstico per capita no país é de cerca de 230 litros por dia – maior que o dos paulistas (188), mas menor que o dos cariocas (253).


Campanhas, aumento do preço e distribuição de aparelhos que diminuem o gasto nas torneiras resultaram em queda de 17% no consumo. E aqui? quais são as medidas que estamos adotando para reduzir o consumo de água?


Uma das apostas para manter essa tendência é transformar as crianças em vigilantes da água. “Quando seus filhos pedem para você fechar a torneira enquanto ensaboa os pratos, você faz isso”, afirma Uri Shor, porta-voz da autoridade hídrica.

Várias escolas também tentam envolver os alunos nos esforços para economizar. Na sua escola existe algum projeto para reduzir o consumo de água?


Com a ajuda das crianças, o professor Ohad Reimer, 34, opera um sistema de cisternas que abastece as descargas da escola em Revohot, uma pacata cidade perto de Tel Aviv.


“Crescemos preocupados com água, mas as crianças de hoje sabem muito mais do que sabíamos na época”, diz Reimer. Na cidadezinha de casas com grandes jardins, parte dos alunos já criou sistemas de reúso, aproveitando água do chuveiro para as plantas.


Texto 2. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/224256-brasil-entra-na-mira-de-empresas-israelenses.shtml

Crise da água: BRASIL ENTRA NA MIRA DE EMPRESAS ISRAELENSES 

 
A crise hídrica paulista entrou no radar da indústria da água de Israel. Com incentivos do governo tanto na área de pesquisa como na incubação de start-ups, Israel tenta se consolidar como uma espécie de Vale do Silício das soluções hídricas. Explique sobre o Vale do Silício e o sentido dessa frase em comparar essas duas áreas.
 
“Cada vez mais crianças querem aprender sobre a indústria da água. Também há novas matérias surgindo nas universidades e mais gente estudando engenharia hidráulica”, diz Adi Yefet, diretora do Israel NewTech, programa criado pelo Ministério da Economia para fortalecer o setor dentro e fora do país.
 
Em um país com 8 milhões de habitantes, falta mercado para as cerca de 250 empresas de tecnologia da água, que veem grandes oportunidades de negócio nos problemas hídricos enfrentados por gigantes como China, Índia e Brasil. Hoje, as exportações do setor chegam a R$ 2 bilhões por ano. Seria interessante propor uma pesquisa sobre a crise da água nesses três países. Talvez fosse necessário dividir a turma em grupos de pesquisa para que preparassem seus painéis, apresentando os resultados, explicando sobre eles e posteriormente expondo nos corredores da escola para que todos possam ler.
 
O cônsul para assuntos econômicos de Israel em São Paulo, Boaz Albaranes, acredita que a crise hídrica paulista deve engordar a delegação de brasileiros na feira do setor promovida pelo país em outubro, a Watec.
 
Entre os convidados estão o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, e membros do consórcio da bacia dos rios PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí), que alimentam o sistema Cantareira. Clique aqui para abrir uma postagem em que há mapas do sistema cantareira.
 
Entre as companhias que estarão no evento, um dos principais focos é a redução de perdas, problema bastante comum devido à idade dos encanamentos das grandes cidades do mundo.
 
Na cidade de São Paulo, cerca de 20% dos canos têm mais de 40 aos, e a rede tem, em média, 33 anos.
 
Os vazamentos causam desperdício de 19,5% da água, quase o dobro do índice israelense de 10%.
 
A empresa Curapipe, por exemplo, criou uma cola não tóxica para tapar vazamentos em encanamentos. Assim que passa por um buraco, a substância entra em contato com o ar e se solidifica. Outro grupo de alunos pode ser responsável pela busca sobre diferentes tecnologias.
 
O produto substitui a troca de encanamento, cujo custo pode chegar a US$ 1 milhão (R$ 3,1 milhões) por quilômetro. Mesmo assim, a estimativa da empresa é que o Estado de São Paulo teria de gastar US$ 1,2 bilhão (R$ 3,7 bilhões) no produto para acabar com os vazamentos.
 
Já a Aquarius-Spectrum desenvolveu um sensor acústico que, acoplado aos hidrantes, capta vazamentos em um raio de 300 metros.
 
A irrigação por gotejamento, desenvolvida pelos israelenses, já chegou ao Brasil. Ao contrário da irrigação por sprinklers e inundação, comuns por aqui, o método direciona a água para a planta.
 
Surgida em um kibutz, a Netafim virou uma gigante do rama, com presença em vários países, inclusive o Brasil. (Explique e apresente o que é um kibutz).
 
O diretor de sustentabilidade da empresa, Nat Baraky, 71, está na Netafim desde o início, na década de 1960.
 
“Naquela época, tentando plantar no deserto, sofríamos uma falha após a outra”, conta. Segundo Baraky, a técnica de gotejamento mudou tudo isso.
 
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As atividades que propus acima, sobre a crise da água, articula diferentes habilidades e saberes. Obviamente que as possibilidades de se trabalhar com esses textos podem ser muito mais exploradas. Gostaria de saber qual é a sua sugestão. Comente! 
Se tiver alguma dúvida, escreva.
Se quiser compartilhar suas atividades, me encaminhe.
 
Um forte abraço
Ivan.

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About the Author

Ivan Guedes

Prof. Dr. Ivan Claudio Guedes, Geógrafo e Pedagogo. Professor de Geografia na educação básica e Docente do curso de Pedagogia da Faculdade Progresso. Coloca todo o seu conhecimento a disposição de alunos acadêmicos, pesquisadores, concursantes, professores, profissionais da educação e demais estudantes que necessitam ampliar seus conhecimentos escolares ou acadêmicos.

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